Hidráulica · 11 min de leitura

Óleo hidráulico 46 ou 68? Como escolher a viscosidade certa (ISO VG)

Veredito direto

Óleo hidráulico 46 ou 68? Escolha pela temperatura do óleo no reservatório, não pela do ambiente. Em óleo mineral com índice de viscosidade 100, o ISO VG 46 fica na faixa ótima de 16 a 36 cSt entre cerca de 46 °C e 68 °C; o ISO VG 68, entre cerca de 55 °C e 78 °C. O manual do equipamento sempre prevalece.

Ver a tabela de viscosidade por temperatura →

Empilhadeira lenta, prensa esquentando, bomba chiando: muitas vezes a causa está numa escolha mal feita entre óleo hidráulico 46 ou 68. O número no galão parece detalhe, mas define se a bomba trabalha protegida ou se desgasta em silêncio. Este guia mostra como a equipe técnica da AriLub faz essa escolha, com números de norma e cálculo de viscosidade, sem achismo.

Galões de óleo hidráulico Valvoline Hydraulic AW ISO 46 e ISO 68 lado a lado
Óleo hidráulico ISO VG 46 e ISO VG 68 (Valvoline Hydraulic AW): o número indica a viscosidade em cSt a 40 °C, e não a “qualidade” do óleo.

O que é ISO VG no óleo hidráulico?

ISO VG (Viscosity Grade) é o grau de viscosidade de um óleo industrial definido pela norma ISO 3448. O número é a viscosidade cinemática média a 40 °C, em centistokes (cSt ou mm²/s), com tolerância de ±10%. Um óleo hidráulico ISO VG 46 tem, portanto, entre 41,4 e 50,6 cSt a 40 °C.

A ISO 3448 tem 20 graus, do VG 2 ao VG 3200. Nos sistemas hidráulicos, os mais usados são o VG 32, o VG 46 e o VG 68. Na prática, “óleo 46”, “hidráulico 46” e “ISO 46” são sinônimos do mesmo grau.

Número maior significa óleo melhor?

Não. O número ISO VG mede só a viscosidade, ou seja, a resistência do óleo ao escoamento. Qualidade depende do óleo básico, dos aditivos e das aprovações de fabricantes de bombas. Um VG 68 de baixa qualidade protege menos que um VG 46 bem aditivado.

Qual a diferença entre óleo hidráulico 32, 46 e 68?

A diferença entre o óleo hidráulico 32, 46 e 68 é a viscosidade a 40 °C: o VG 32 é o mais fino, o VG 46 é intermediário e o VG 68 é o mais grosso. O VG 68 tem quase o dobro da viscosidade do VG 32 na mesma temperatura. Por isso, os três não são intercambiáveis sem análise.

Faixas de viscosidade pela ISO 3448 (ponto médio ±10%, a 40 °C).
GrauViscosidade a 40 °C (cSt)ComportamentoUso típico
ISO VG 3228,8 a 35,2Mais fluidoMáquinas-ferramenta, sistemas de precisão, óleo que trabalha mais frio
ISO VG 4641,4 a 50,6IntermediárioGrau mais comum em hidráulica industrial e móbil: injetoras, prensas, empilhadeiras
ISO VG 6861,2 a 74,8Mais viscosoÓleo que trabalha quente, cargas altas, equipamentos pesados e ambientes sem climatização

Qual é a viscosidade do óleo hidráulico na temperatura de trabalho?

A viscosidade do óleo hidráulico cai rapidamente com o aquecimento. Um ISO VG 46 tem 46 cSt a 40 °C, mas só cerca de 15 cSt a 70 °C. É a viscosidade na temperatura de operação que protege a bomba, e não o número do rótulo.

Calculamos a tabela abaixo pela equação de Walther (ASTM D341), para óleos minerais com índice de viscosidade próximo de 100. Os valores são aproximados e servem para orientar a escolha.

Viscosidade aproximada (cSt) por temperatura do óleo. Cálculo AriLub pela ASTM D341, óleo mineral com IV ≈ 100.
Temperatura do óleoISO VG 32ISO VG 46ISO VG 68
40 °C324668
50 °C21,53043
60 °C15,220,628,7
70 °C11,214,820,1
80 °C8,511,114,7
90 °C6,78,611,2

A leitura prática é direta. Fabricantes de bombas costumam indicar uma faixa ótima de 16 a 36 cSt em operação. Nessa faixa, o VG 32 trabalha bem entre cerca de 37 °C e 59 °C. O VG 46 cobre de 46 °C a 68 °C, e o VG 68 de 55 °C a 78 °C.

Dica da equipe técnica: meça a temperatura do óleo no reservatório com um termômetro infravermelho depois de 1 a 2 horas de trabalho pesado. Se ficar acima de 65 °C a 70 °C de forma constante, o VG 68 tende a proteger melhor que o VG 46, desde que o manual permita.

Como o tipo de bomba influencia a escolha do óleo hidráulico?

O tipo de bomba define os limites de viscosidade aceitáveis. Cada fabricante publica três números no catálogo: a viscosidade mínima em operação, a faixa ótima e a viscosidade máxima na partida a frio. Abaixo do mínimo, o filme de óleo se rompe. Acima do máximo, a bomba não consegue aspirar e cavita.

Referências usuais de mercado. Os valores exatos estão no catálogo de cada bomba.
Tipo de bombaSensibilidade à viscosidadeO que observar
EngrenagemMais toleranteAceita faixa ampla; perde rendimento volumétrico com óleo fino e quente
PalhetasMédia a altaÓleo fino demais desgasta palhetas e anel; exige boa aditivação antidesgaste
Pistões (axiais e radiais)AltaFolgas pequenas: exige viscosidade mínima respeitada e óleo muito limpo

Empilhadeira usa óleo hidráulico 46 ou 68?

A maioria dos manuais de empilhadeira indica ISO VG 46 para clima temperado e aceita ISO VG 68 para operação em altas temperaturas. Em galpões quentes do Nordeste, com turnos longos, o óleo costuma trabalhar mais quente. Confirme no manual e meça a temperatura antes de mudar.

Retroescavadeira e máquina pesada usam qual óleo hidráulico?

Máquinas de construção e agrícolas variam muito. Algumas pedem óleo hidráulico ISO VG 46 ou 68. Outras usam fluido universal de trator (UTTO), que lubrifica hidráulico, transmissão e freios em banho de óleo ao mesmo tempo. Nunca troque um UTTO por óleo hidráulico comum: os freios em banho podem trepidar ou perder eficiência.

Qual a diferença entre óleo hidráulico AW, HM e HV?

HM e HV são categorias da norma ISO 6743-4; AW é um nome comercial. HM é o óleo mineral com aditivos antioxidantes, anticorrosivos e antidesgaste. HV é um HM com melhorador de índice de viscosidade, que varia menos com a temperatura. “AW” (antiwear) indica, no mercado, um óleo equivalente ao HM.

  • HL: mineral com antioxidante e anticorrosivo, sem antidesgaste. Uso em sistemas de baixa pressão.
  • HM (ou AW): adiciona antidesgaste, geralmente à base de zinco (ZDDP). É o padrão para bombas de média e alta pressão.
  • HV: HM com índice de viscosidade alto. Indicado para equipamentos que enfrentam grande variação de temperatura.

Aprovações de fabricantes de bombas, como Denison HF-0, HF-1 e HF-2, mostram que o óleo passou em testes de desgaste em bombas reais. Esse é um sinal de qualidade mais confiável que o rótulo “AW”.

O que acontece quando a viscosidade do óleo hidráulico está errada?

A viscosidade errada causa desgaste, aquecimento e perda de força. O mecanismo segue uma cadeia de causa, efeito e solução. Identificar o elo certo evita trocar de óleo à toa.

  1. Óleo fino demais (causa): o filme entre peças se rompe e aumenta o vazamento interno. Efeito: atuadores lentos, mais calor, desgaste da bomba. Solução: subir de grau (46 → 68) ou melhorar o arrefecimento.
  2. Óleo grosso demais (causa): a bomba não aspira bem na partida. Efeito: cavitação, ruído de “cascalho” e erosão interna. Solução: descer de grau ou aquecer o óleo antes de exigir carga.
  3. Óleo contaminado (causa): partículas e água agem como lixa e oxidam o óleo. Efeito: válvulas travando e filtro saturando. Solução: filtragem, respiro com filtro e análise de óleo.

Atenção: não misture óleo hidráulico 46 com 68 para “chegar no meio”. A viscosidade final fica imprevisível e os pacotes de aditivos de marcas diferentes podem não ser compatíveis. Se precisar mudar de grau, drene, troque o filtro e reabasteça.

Por que a limpeza do óleo hidráulico importa tanto quanto a viscosidade?

A contaminação por partículas é apontada pela literatura técnica como a maior causa de falhas em sistemas hidráulicos. A limpeza é medida pelo código ISO 4406, com três números (por exemplo, 18/16/13). Eles representam a quantidade de partículas maiores que 4, 6 e 14 µm por mililitro.

Cada número a menos no código significa, aproximadamente, metade das partículas. Bombas de pistões e válvulas proporcionais exigem códigos mais baixos que bombas de engrenagem. O alvo correto vem do fabricante do componente mais sensível do sistema.

  • Filtre o óleo novo ao abastecer: óleo do tambor nem sempre chega no nível de limpeza que o sistema exige.
  • Use respiro com filtro dessecante em ambientes úmidos ou com poeira.
  • Guarde tambores deitados e cobertos, longe da chuva e do sol.

Quando trocar o óleo hidráulico?

O óleo hidráulico deve ser trocado pelo intervalo do manual ou pela condição indicada na análise de óleo. A análise em laboratório mede viscosidade a 40 °C, acidez (TAN), água, código ISO 4406 e metais de desgaste. Com ela, é possível estender trocas seguras ou antecipar trocas necessárias.

Na nossa rotina de atendimento a indústrias e frotas em Fortaleza, vemos com frequência óleo hidráulico trocado “por calendário” ainda em bom estado. Também vemos o contrário: óleo dentro do prazo, mas escuro, com água e cheiro de queimado. A análise resolve as duas situações.

Troque a viscosidade de referência quando a análise mostrar variação acima de ±10% em relação ao óleo novo. Isso indica contaminação por outro óleo, degradação ou cisalhamento.

Mitos e fatos sobre óleo hidráulico

  • Mito: óleo mais grosso sempre protege mais. Fato: viscosidade acima do limite da bomba causa cavitação e aquece o sistema por atrito interno.
  • Mito: o clima define o grau. Fato: o que define é a temperatura do óleo em trabalho, que depende de carga, ciclo, tamanho do reservatório e arrefecimento.
  • Mito: óleo novo é óleo limpo. Fato: óleo de tambor pode chegar acima do nível de limpeza exigido por bombas de pistões. Filtrar no abastecimento é boa prática.
  • Mito: “AW” no rótulo garante qualidade. Fato: o que comprova desempenho são aprovações como Denison HF-0 e a conformidade com ISO 6743-4 (HM/HV).

E se o manual pedir uma coisa e a operação pedir outra?

Quando a operação foge do previsto no manual, a decisão deve ser técnica e registrada. Os cenários abaixo são os que mais aparecem no nosso atendimento.

E se o óleo hidráulico passar de 80 °C?

Acima de 80 °C, mesmo o VG 68 fica perto de 15 cSt e a oxidação acelera. Trocar de grau não resolve sozinho. Verifique o trocador de calor, o nível do reservatório, válvulas de alívio abrindo sem necessidade e o desgaste da bomba.

E se o equipamento ficar parado e partir com o óleo frio?

No Nordeste, o óleo raramente fica abaixo de 20 °C. Nessa temperatura, o VG 68 tem cerca de 215 cSt, o que a maioria das bombas aceita na partida. Opere sem carga nos primeiros minutos até o óleo aquecer.

E se eu não souber qual óleo está no sistema?

Envie uma amostra para análise de viscosidade antes de completar o nível. Se não for possível, drene, troque o filtro e reabasteça com o grau do manual. Completar “no escuro” é a origem da maioria das misturas problemáticas.

Exemplo prático: simulação de troca de VG 46 para VG 68

Simulação (caso hipotético, não é um cliente real): uma prensa hidráulica opera em galpão sem climatização. O óleo VG 46 chega a 72 °C no fim do turno. Pela tabela, isso equivale a cerca de 14 cSt, abaixo da faixa ótima de 16 cSt.

Com o VG 68 na mesma temperatura, a viscosidade sobe para cerca de 19 cSt e volta para a faixa ótima. Na partida, a 30 °C, o VG 68 fica perto de 115 cSt, valor dentro do limite usual das bombas. A mudança faz sentido técnico, desde que o fabricante aprove o VG 68 e o arrefecimento seja verificado.

Pense na viscosidade como a “espessura do colchão” entre as peças. Se o colchão fica fino demais no calor, as peças encostam. Se fica grosso demais no frio, a bomba não consegue puxar o óleo.

Glossário rápido

Viscosidade cinemática
Resistência do óleo ao escoamento por gravidade, medida em cSt (mm²/s).
ISO VG
Grau de viscosidade a 40 °C definido pela ISO 3448.
Índice de viscosidade (IV)
Número que indica quanto a viscosidade varia com a temperatura. Quanto maior, menor a variação.
HM / HV
Categorias de óleo hidráulico da ISO 6743-4: antidesgaste (HM) e antidesgaste com IV alto (HV).
Cavitação
Formação e colapso de bolhas de vapor na bomba, que erodem as superfícies internas.
ISO 4406
Código de limpeza do fluido pelo número de partículas acima de 4, 6 e 14 µm por mililitro.
UTTO
Universal Tractor Transmission Oil: fluido único para hidráulico, transmissão e freios em banho de tratores.

Conclusão: o número certo é o que funciona quente

A escolha entre óleo hidráulico 46 ou 68 depende da viscosidade que o óleo terá na temperatura real de trabalho. Use o manual como ponto de partida, meça a temperatura do reservatório e compare com a faixa ótima da bomba. Óleo limpo, com aditivação HM ou HV e aprovação de fabricante, completa a proteção.

Com esse método, a troca de grau deixa de ser palpite e vira decisão técnica. O resultado é bomba durando mais, menos parada e menos óleo desperdiçado.

Como a AriLub pode ajudar

A AriLub Distribuidora atua em Fortaleza desde 1992 e é distribuidora autorizada Valvoline. Para hidráulica, trabalhamos com o Valvoline Hydraulic AW 46 e o Valvoline Hydraulic AW 68, ambos com aprovações Denison HF-0, HF-1 e HF-2 e Cincinnati P-68/P-70. Para tratores e máquinas agrícolas, o Valvoline Unitrac 10W30 atende hidráulico, transmissão e freios em banho de óleo.

Nossa equipe técnica ajuda a conferir o manual, a temperatura de trabalho e o histórico do equipamento antes de indicar o grau. Veja também a linha completa de lubrificantes, o guia de graxa industrial e consistência NLGI e como a lubrificação entra na manutenção preventiva para reduzir custos.

Leia também: tabela de equivalência de óleo hidráulico entre marcas · óleo hidráulico para trator (UTTO e STOU)

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre óleo hidráulico 46 e 68?

A diferença é a viscosidade a 40 °C: o ISO VG 46 tem de 41,4 a 50,6 cSt e o ISO VG 68 tem de 61,2 a 74,8 cSt. O 68 é mais grosso e protege melhor quando o óleo trabalha quente; o 46 flui melhor quando o óleo trabalha mais frio.

Posso usar óleo hidráulico 68 no lugar do 46?

Pode, se o fabricante do equipamento aprovar e se o óleo trabalhar quente, acima de cerca de 65 °C. Antes, confirme que a bomba aceita a viscosidade maior na partida. Drene o sistema e troque o filtro, sem misturar os dois graus.

O que significa óleo hidráulico AW?

AW (antiwear) é o nome comercial do óleo hidráulico com aditivos antidesgaste, equivalente à categoria HM da ISO 6743-4. Esses aditivos protegem bombas de palhetas e pistões sob alta pressão. Aprovações como Denison HF-0 comprovam o desempenho.

Qual óleo hidráulico usar em empilhadeira?

A maioria dos manuais de empilhadeira indica ISO VG 46 e aceita ISO VG 68 em operação com altas temperaturas. Em galpões quentes e turnos longos, meça a temperatura do óleo no reservatório e siga a faixa permitida pelo fabricante.

Com que frequência trocar o óleo hidráulico?

Siga o intervalo do manual e confirme com análise de óleo em laboratório. A análise mede viscosidade, acidez, água, partículas pelo código ISO 4406 e metais de desgaste. Com esses dados, a troca acontece na hora certa.

Posso misturar óleo hidráulico 46 com 68?

Não é recomendado. A viscosidade final fica imprevisível e aditivos de marcas diferentes podem ser incompatíveis. Para mudar de grau, drene o sistema, troque o filtro e reabasteça com um único produto.

Fontes e referências

Conteúdo informativo produzido e revisado pela AriLub. As informações não substituem o manual do fabricante do veículo ou do equipamento.

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