Lubrificação · 9 min de leitura

Graxa industrial: tipos, consistência NLGI e como escolher

A graxa industrial é um lubrificante semissólido composto por óleo base, espessante e aditivos; a escolha correta depende da consistência NLGI (geralmente NLGI 2), do tipo de espessante, da viscosidade do óleo base e das condições de operação, como temperatura, carga e presença de água. Em aplicações gerais de rolamentos e chassis, a graxa de lítio NLGI 2 é a mais comum, mas ambientes severos pedem produtos específicos, como graxa de sulfonato de cálcio ou poliureia.

A graxa é uma peça central de qualquer plano de lubrificação. Veja também como ela entra na manutenção preventiva para reduzir custos.

Selecionar a graxa inadequada pode comprometer a vida útil do equipamento, causar falhas prematuras e elevar custos de manutenção. Este guia explica os principais critérios técnicos para especificar a graxa correta em manutenção industrial e de frotas.

O que é graxa industrial?

A graxa é um lubrificante semissólido formado pela dispersão de um espessante em um óleo lubrificante. O espessante atua como uma esponja que retém o óleo base, liberando-o gradualmente sob carga, temperatura ou movimento. Os aditivos conferem propriedades específicas, como proteção contra desgaste, inibição de corrosão e resistência à oxidação.

Diferente do óleo lubrificante, a graxa permanece no ponto de aplicação, veda contra contaminantes e é indicada para pontos de difícil acesso ou relubrificação espaçada.

Composição básica da graxa

Três componentes principais definem o desempenho de uma graxa:

  • Óleo base (70% a 90% da formulação): pode ser mineral, sintético ou vegetal. Define a viscosidade, a faixa de temperatura e a capacidade de lubrificação.
  • Espessante (5% a 20%): sabão metálico (lítio, cálcio, alumínio), complexo (lítio complexo, sulfonato de cálcio), poliureia ou argila. Define a consistência, resistência à água e estabilidade térmica.
  • Aditivos (0% a 10%): antioxidantes, antidesgaste, extrema pressão (EP), inibidores de corrosão, modificadores de atrito, etc.

As porcentagens são típicas e podem variar conforme o fabricante e a aplicação.

Tipos de espessantes e suas aplicações

O espessante determina a resistência à água, a estabilidade mecânica e o limite de temperatura da graxa. Os tipos mais comuns na indústria são:

EspessanteTemperatura contínua típicaResistência à águaAplicações comunsObservações
Lítio simples-20 °C a 120 °CBoaRolamentos, chassis, uso geralVersátil e econômica; a mais usada em NLGI 2
Lítio complexo-20 °C a 150 °CBoa a muito boaRolamentos de alta temperatura, indústriaEstabilidade mecânica superior ao lítio simples
Cálcio-10 °C a 60 °CExcelenteChassis, bomba d'água, aplicações úmidasBaixo ponto de gota; uso limitado a baixas temperaturas
Sulfonato de cálcio-20 °C a 160 °CExcelenteMineração, papel, celulose, naval, equipamentos lavadosAlta proteção anticorrosiva; boa capacidade EP inerente
Poliureia-20 °C a 180 °CBoa a muito boaMotores elétricos, rolamentos de longa vida, alta temperaturaNão contém sabão; baixa tendência a formar resíduos
Bentonita (argila)-20 °C a 150 °CModerada a boaFornos, estufas, altas temperaturas com relubrificação frequenteNão derrete (sem ponto de gota), mas o óleo base degrada com o tempo

Os valores de temperatura são orientativos e podem variar conforme a formulação. Sempre consulte a ficha técnica do produto.

Consistência NLGI: o que significa e como usar

A consistência de uma graxa é classificada pelo National Lubricating Grease Institute (NLGI) em graus que vão de 000 (fluida) a 6 (muito dura). O grau indica a penetração trabalhada, ou seja, o quanto um cone padrão penetra na amostra a 25 °C.

O que significa NLGI 2? É uma graxa de consistência média, com penetração trabalhada entre 265 e 295 décimos de milímetro. NLGI 2 é o grau mais comum para a maioria das aplicações industriais e de frotas. Ele oferece boa adesão sem ser excessivamente rígido, adequado para rolamentos, chassis e pontos de lubrificação normal.

Tabela de graus NLGI com a faixa de penetração trabalhada (ASTM D217, em décimos de milímetro a 25 °C — quanto maior a penetração, mais macia a graxa):

Grau NLGIPenetração trabalhada (0,1 mm)AparênciaUso típico
000445 a 475FluidaSistemas centralizados, caixas de engrenagens fechadas
00400 a 430SemifluidaSistemas centralizados, redutores
0355 a 385Muito maciaSistemas centralizados, engrenagens abertas
1310 a 340MaciaBaixas temperaturas, sistemas centralizados de baixa pressão
2265 a 295Pastosa (padrão)Rolamentos, chassis e uso geral — o grau mais comum
3220 a 250FirmeRolamentos grandes, eixos verticais, vibração
4175 a 205Muito firmeAplicações especiais, vedação
5130 a 160DuraAplicações especiais
685 a 115Muito dura (bloco)Mancais de bloco, aplicações especiais

A escolha do grau NLGI deve considerar a facilidade de aplicação, a temperatura ambiente e a velocidade do rolamento. Graus mais macios (NLGI 0 ou 1) facilitam o bombeamento em sistemas centralizados e a partida em baixas temperaturas; graus mais firmes (NLGI 3) ajudam em eixos verticais, vibração intensa e na vedação contra contaminantes. A recomendação do fabricante do rolamento ou do equipamento deve prevalecer.

Viscosidade do óleo base e sua importância

O óleo base é o responsável pela lubrificação efetiva. A viscosidade do óleo deve ser selecionada conforme a velocidade e a carga do componente, usando o mesmo critério de seleção de um óleo lubrificante.

Para rolamentos, a viscosidade mínima necessária é determinada pelo fator de velocidade (nDm) e pela temperatura de operação. Em geral, aplicações de alta velocidade exigem óleo base de menor viscosidade, enquanto cargas elevadas e baixas velocidades pedem maior viscosidade.

A viscosidade do óleo base é indicada na ficha técnica da graxa, normalmente em cSt a 40 °C ou 100 °C. Não confunda a viscosidade do óleo base com a consistência NLGI: uma graxa NLGI 2 pode ter óleo base ISO VG 100 ou ISO VG 460, dependendo da aplicação.

Aditivos EP e MoS2: quando são necessários

Aditivos de extrema pressão (EP) reagem com a superfície metálica sob alta carga e temperatura para formar uma película protetora que evita o contato metal-metal. São recomendados para rolamentos de grande porte, engrenagens abertas, quinta-roda, pinos de articulação e aplicações com choques de carga.

O dissulfeto de molibdênio (MoS2) é um lubrificante sólido adicionado à graxa para reduzir o atrito em condições de alta carga e baixa velocidade, quando o filme de óleo pode se romper. É comum em graxas para chassis, quinta-roda e máquinas agrícolas.

Atenção: o uso de aditivos EP ou MoS2 deve seguir a recomendação do fabricante do equipamento, pois em rolamentos de esferas de alta velocidade podem aumentar o aquecimento ou causar deslizamento.

Compatibilidade entre graxas: riscos de misturar espessantes

Misturar graxas com espessantes diferentes pode causar amolecimento excessivo, endurecimento, separação do óleo ou perda de estabilidade mecânica, comprometendo a lubrificação. Combinações envolvendo poliureia, argila (bentonita) ou sabão de sódio com outros espessantes estão entre as mais citadas como incompatíveis nas tabelas dos fabricantes.

Nunca misture graxas de espessantes diferentes sem verificar a compatibilidade. Se for necessário trocar de graxa, o ideal é remover o máximo da graxa antiga, purgar com a nova graxa e monitorar o desempenho. Em caso de dúvida, consulte o fornecedor.

Relubrificação: quantidade, frequência e excesso

A quantidade e a frequência de relubrificação dependem do tamanho do rolamento, da velocidade, da temperatura e do ambiente. Na montagem, a referência usual dos fabricantes de rolamentos é preencher o rolamento e ocupar apenas cerca de 30% a 50% do espaço livre da caixa; na relubrificação, a quantidade é calculada pelo tamanho do rolamento. Excesso de graxa em rolamento elétrico ou de alta rotação causa atrito interno, aumento de temperatura e vazamento, podendo reduzir a vida útil.

Para definir a frequência, utilize as recomendações do fabricante do equipamento ou calculadoras de relubrificação dos fabricantes de rolamentos (como SKF e Schaeffler/FAG). Em ambientes contaminados ou com altas temperaturas, a frequência deve ser reduzida.

Ao relubrificar, limpe o pino graxeiro, injete a quantidade calculada e deixe o equipamento girar por alguns minutos para expelir o excesso, se aplicável.

Graxa grau alimentício NSF H1

Para equipamentos da indústria alimentícia, farmacêutica e de bebidas, programas de segurança de alimentos (BPF/APPCC) e auditorias de clientes normalmente exigem graxas com registro NSF H1 nos pontos com risco de contato incidental, que são seguras para contato incidental com alimentos (até 10 ppm). Essas graxas usam óleos base e espessantes aprovados, como alumínio complexo, sulfonato de cálcio ou poliureia, e aditivos de grau alimentício.

A NSF H1 não substitui as boas práticas de fabricação, mas reduz o risco de contaminação. Em áreas com risco de contato com o produto, não use graxa comum.

Aplicações típicas por segmento

  • Frotas e transporte: rolamentos de roda, chassis, quinta-roda, pinos de mola, terminais de direção. Graxa de lítio complexo NLGI 2 com aditivos EP/AW é comum.
  • Indústria geral: rolamentos de motores elétricos, ventiladores, bombas, correias transportadoras. Graxa poliureia ou lítio complexo NLGI 2 ou 3.
  • Mineração e siderurgia: equipamentos sujeitos a água, lama e altas cargas. Graxa de sulfonato de cálcio NLGI 2 com EP.
  • Agrícola: rolamentos de colheitadeiras, tratores, implementos. Graxa de lítio complexo ou sulfonato de cálcio, resistente à água e poeira.
  • Naval e portuário: guinchos, cabos, rolamentos expostos a maresia. Graxa de sulfonato de cálcio ou lítio complexo com inibidor de corrosão.
  • Alimentícia: redutores, rolamentos de transportadores, bicos dosadores. Graxa NSF H1, geralmente de alumínio complexo ou sulfonato de cálcio.

Erros comuns na seleção e aplicação de graxa

  • Misturar graxas incompatíveis: pode alterar a consistência e provocar falha.
  • Aplicar excesso de graxa: gera temperatura elevada, vazamento e contaminação.
  • Escolher o grau NLGI errado: graxa muito dura pode não chegar ao ponto de contato; muito mole pode escorrer.
  • Ignorar a temperatura de operação: usar graxa de lítio simples em forno ou estufa causa oxidação e perda de lubrificação.
  • Não considerar a presença de água: em ambientes lavados ou com condensação, é necessário graxa com alta resistência à água, como sulfonato de cálcio.
  • Relubrificar sem limpar o pino graxeiro: introduz contaminantes na graxa nova.

Checklist para escolher a graxa certa

  1. Identifique o componente: rolamento, chassi, quinta-roda, engrenagem aberta, etc.
  2. Verifique as condições de operação: temperatura mínima e máxima, velocidade, carga, vibração.
  3. Avalie a presença de água, umidade, poeira ou contaminantes químicos.
  4. Consulte o manual do fabricante para especificações de graxa (NLGI, espessante, viscosidade do óleo base, aditivos).
  5. Selecione o espessante adequado à temperatura e resistência à água.
  6. Escolha o grau NLGI conforme a aplicação e o sistema de lubrificação.
  7. Confirme a compatibilidade se houver troca de produto.
  8. Para indústria alimentícia, exija registro NSF H1.
  9. Defina a quantidade e frequência de relubrificação.
  10. Adquira de fornecedor confiável e verifique a ficha técnica.

Como a AriLub pode ajudar

A AriLub Distribuidora, com sede em Fortaleza-CE e atuação desde 1992, fornece lubrificantes, graxas, filtros e componentes para manutenção industrial e de frotas em todo o Nordeste. Trabalhamos com marcas reconhecidas como Valvoline, Lubrax, VrLub e Karter, e atendemos segmentos como frotas, mineração, agrícola, naval, alimentícia e energia.

Nossa equipe técnica auxilia na seleção da graxa correta, considerando as condições específicas de cada aplicação e as recomendações do fabricante do equipamento. Além disso, fornecemos filtros, automação industrial, sistemas de medição de gás e saneamento, e componentes para energia renovável, com atendimento ágil e logística para todo o Nordeste.

Consulte nossos especialistas para especificar a graxa ideal e garantir a máxima vida útil dos seus equipamentos.

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Perguntas frequentes

O que significa NLGI 2?

NLGI 2 é o grau de consistência média da escala do National Lubricating Grease Institute, com penetração trabalhada de 265 a 295 décimos de milímetro (ASTM D217, a 25 °C). É a graxa “padrão”, indicada para a maioria dos rolamentos, chassis e pontos gerais de lubrificação. O número indica só a consistência — não a viscosidade do óleo base nem a resistência à temperatura.

Qual a diferença entre graxa NLGI 1 e NLGI 2?

NLGI 1 é mais macia e indicada para sistemas centralizados ou baixas temperaturas; NLGI 2 é a consistência padrão para rolamentos e pontos gerais, com melhor adesão.

Posso misturar graxa de lítio com graxa de sulfonato de cálcio?

Não é recomendado. Espessantes diferentes podem ser incompatíveis, causando amolecimento ou endurecimento da graxa. Se necessário, remova a graxa antiga e purgue antes de aplicar a nova.

O que significa graxa EP?

EP significa 'extrema pressão'. São graxas com aditivos que formam uma película protetora sob altas cargas e choques, evitando o contato metal-metal.

Quando devo usar graxa grau alimentício NSF H1?

Em equipamentos da indústria alimentícia, farmacêutica ou de bebidas onde há risco de contato incidental com o produto. Programas de BPF/APPCC e auditorias normalmente exigem registro NSF H1 nesses pontos.

Qual a quantidade correta de graxa em um rolamento?

Na montagem, a referência usual é preencher o rolamento e ocupar cerca de 30% a 50% do espaço livre da caixa. Na relubrificação, a quantidade é calculada pelo tamanho do rolamento. Excesso de graxa causa aquecimento e vazamento.

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